Arquivo para Abril 17th, 2008

Instituto Médico Legal conclui laudo sobre morte de Isabella e Polícia pode indiciar o casal

SÃO PAULO – Em reportagem na noite desta quarta-feira, a TV Bandeirantes afirma que o Instituto Médico Legal (IML) concluiu o laudo realizado no corpo de Isabella Nardoni, de 5 anos, que morreu no dia 29 de março ao cair do sexto andar do prédio onde o pai e a madrasta moravam na zona norte de São Paulo. Segundo a reportagem, as manchas encontradas no apartamento seriam de Isabella e os peritos teriam concluído que a menina morreu na queda, e não por causa de supostas agressões sofridas ainda no apartamento.

 

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não confirmou as informações divulgadas pela emissora e nem o recebimento dos laudos pela polícia.

Casal presta novo depoimento na sexta

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella, devem prestar novo depoimento nesta sexta-feira, no 9º DP de São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP).

A SSP afirma que eles devem prestar depoimento separados, mas não se sabe qual serão os horários. Além deles, o pai de Alexandre, Antônio Nardoni, e a irmã, Cristiana, também prestarão esclarecimentos na tarde de sábado. Até agora, 55 pessoas foram ouvidas pela polícia.

Novos depoimentos

O advogado Ricardo Martins, representante da defesa do casal, afirmou que as testemunhas ouvidas pela policia nesta quarta-feira demonstraram como era possível que alguém tenha entrado no edifício London, de onde Isabella foi jogada pela janela do sexto andar, no dia do crime.

Ricardo Martins, que acompanhou os depoimentos das testemunhas da lista que foi apresentada pela defesa, saiu da delegacia por volta das 13h50. Segundo o advogado, “as testemunhas foram ouvidas para comprovar três coisas: a vulnerabilidade do edifico London, a perda das chaves pela Anna Carolina e demonstrar que alguns apartamentos ficaram abertos e expostos a qualquer pessoa que quisesse entrar”.

AE

O advogado declarou que as testemunhas ouvidas hoje são prestadoras de serviço, mas a SSP confirmou que uma delas é a corretora de imóveis que vendeu o apartamento para o pai de Alexandre e que a outra é uma montadora de móveis.

“Não posso entrar em detalhes sobre o depoimento das testemunhas, mas elas vieram comprovar veementemente que o edifício London não é aquela fortaleza que todos têm demonstrado”.

Martins também afirmou que pessoas podem comprovar a harmonia vivida pelo casal e que não irá se manifestar sobre o possível indiciamento do publicado pela imprensa. “Não vou me manifestar já que não é uma informação oficial. O casal está totalmente à disposição da Justiça e se forem intimados, comparecerão com certeza”.

O advogado finalizou afirmando que confia na inocência do casal e que a hipótese de haver mais pessoas no local do crime não pode ser descartada. “A defesa entende que enquanto os laudos não tiverem prontos não é possível confirmar com convicção que não existe a terceira pessoa no local. É possível ter uma terceira, uma quarta e até uma quinta pessoa que pudesse ter ocasionado o delito”, afirmou.

Indiciamento

De acordo com o jornal “Folha de S. Paulo”, a polícia decidiu indiciar o casal sob a acusação de ter assassinado Isabella. A conclusão estaria baseada em laudos extra-oficiais. Segundo a “Folha”, após o indiciamento, a polícia pedirá à Justiça a decretação da prisão preventiva do casal. Nardoni e Anna devem ser novamente interrogados na próxima sexta-feira pelos delegados que trabalham desde o dia 30 para esclarecer o “homicídio qualificado consumado”.

Reprodução/ TV Globo

A publicação afirma que o relatório que a polícia irá apresentar à Justiça para o pedido da prisão preventiva do casal já está praticamente pronto. Somente os espaços para a indicação e descrição de cada um dos laudos do IC e do IML que ajudaram a polícia a formar a convicção contra Nardoni e Anna estão em branco.

Até o início da tarde, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que ainda não registrou nenhum pedido de prisão preventiva relativo ao caso. Após o eventual recebimento do pedido, que seria analisado pelo juiz Maurício Fossen, o mesmo que analisou o pedido de prisão temporária do casal, o prazo para a tomada de decisão é de 48 horas.

Hoje, o coordenador da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC), Celso Perioli, afirmou que os laudos relativos à investigação não estão prontos. “Não há resultado oficial dos laudos e não há previsão”, afirmou. A polícia aguarda justamente a conclusão desses laudos para pedir prisão preventiva do casal.

Casal visita filhos

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá saíram por volta das 9 horas de hoje da casa dos pais de Alexandre, no Tucuruvi, zona norte de São Paulo, para visitar os dois filhos pequenos, que estão na residência dos pais de Anna Jatobá, em Guarulhos. O casal, que carregava algumas sacolas, não conversou com os jornalistas.

O caso

 

AE

Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que “a justiça seja feita”.

Roberto Cabrini continua preso por porte de drogas e Mulher diz ser amante de Cabrini em depoimento; jornalista nega

A comerciante Nadir Dias da Silva, 50, afirmou ser amante de Roberto Cabrini, 47, há três anos, e acusou o jornalista de ser usuário de drogas, em depoimento dado no 100º Distrito Policial, localizado no bairro Jardim Herculano (zona sul), segundo documento ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso.

O jornalista foi detido em flagrante, em companhia de Silva, na noite desta terça-feira (15), em São Paulo. No veículo de Cabrini havia dez papelotes de cocaína, informou a Polícia Civil. Silva depôs como testemunha e foi liberada.

Flávio Florido/Folha Imagem
6-05-2003/São Paulo/Flávio Florido-Folha imagem/O apresentador do Jornal da Noite, Roberto Cabrini, posa para fotos no estúdio da TV Bandeirantes. TVFolha
Nadir acusa Cabrini (foto) de ser usuário de drogas; jornalista nega

Indiciado por tráfico de entorpecentes, Cabrini permanece detido no 13º Distrito Policial, no bairro Casa Verde (região norte de São Paulo), onde há celas para presos com curso superior. Ele foi transferido para o local na manhã de hoje.

O advogado de Cabrini, Alberto Zacharias Toron, disse hoje  que seu cliente sofria ameaças de Silva.

No depoimento, Silva disse que o suposto envolvimento amoroso com Cabrini começou quando se conheceram durante uma reportagem. Ela afirmou ainda à polícia que viu quando os policiais encontraram a droga com o jornalista, no porta-objeto do carro dele.

O delegado Ulisses Augusto Pascolati sugeriu que Cabrini alegasse ser usuário de drogas, mas ele negou ser dependente químico.

Outro lado

Durante seu depoimento, Cabrini negou qualquer envolvimento amoroso com a comerciante. Segundo o jornalista, ele a conheceu quando era editor-chefe do “Jornal da Noite”, na Band, quando fazia a cobertura da onda de ataques do PCC em maio de 2006.

Ele disse ainda que, na hora em que foi abordado pelos policiais, estava dentro de seu carro, em frente a uma padaria da rua Deocleciano de Oliveira Filho, na zona sul da cidade. Cabrini disse que os policiais foram direto para o porta-objeto de seu carro, onde acharam a droga, e que não revistaram sua roupa. Ele acusa a polícia de ter armado o flagrante.

“Fui informado pela produção de jornalismo da Band que havia uma senhora que tinha entrado em contato com a redação, oferecendo-se para possibilitar que o lado dos presos fosse ouvido”, disse o jornalista, no depoimento. Foi Silva quem informou ao jornalismo da Band números de telefone, a partir dos quais Cabrini afirma ter entrevistado o líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, disse o jornalista durante o depoimento.

Cabrini disse que Silva o ameaçou com armas de fogo, quando ela percebeu que ele sabia das relações que ela supostamente mantinha com traficantes do bairro onde mora a comerciante.

“O ápice das ameaças foi no dia em que apontou armas para mim, dizendo que eu não a denunciasse”, afirmou Cabrini.

O jornalista admitiu ter consumido cocaína na companhia da mulher. “Fui obrigado a consumir o produto [cocaína] a fim de demonstrar que o clima amistoso permanecia, fato este que ocorreu uma vez”, disse, no depoimento.


 

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