Arquivo para Abril 19th, 2008

Casagrande rompe o silêncio e fala de sua luta contra as drogas e diz que teve quatro overdoses

Sem previsão de alta, comentarista rompe o silêncio após sete meses de internação para desintoxicação.

Reprodução / Revista Placar
Casagrande, no acidente de setembro: última aparição

SÃO PAULO – O ex-jogador e comentarista da Rede Globo, Walter Casagrande Jr, revelou que sofreu quatro overdoses entre 2005 e 2007 e que foi internado apenas uma única vez no período, em entrevista à revista “Época”. Casagrande diz que se recupera bem em tratamento para se livrar do vício por drogas em uma clínica em Itapecirica da Serra. Este foi o primeiro depoimento dele em sete meses, tempo que dura sua última internação.

“As pessoas que gostam de mim podem ficar tranqüilas: eu estou me tratando bem”, diz o ex-jogador, que ainda fez questão de deixar um recado para aquelas pessoas que estão ou pensam em ingressar no mundo das drogas. “As pessoas precisam aceitar que são dependentes e que estarão em recuperação diariamente, até o final da vida, porque a droga é sedutora.”

Segundo a revista, Casagrande estava bem humorado e com uma aparência boa, além de ter engordado 20 quilos desde o início do tratamento. O comentarista revelou também o seu desejo de voltar a figurar como comentarista de televisão, além de querer trabalhar como colunista de jornal e apresentador de programa de rádio.

Na clínica, Casão recebe o mesmo tratamento que qualquer outro paciente, e suas atividades incluem cultivar uma horta, sessões de relaxamento e algumas partidas de futebol de salão, na quadra da instituição. Ele apenas tem autorização para sair nas consultas ao dentista e nas sessões de terapia familiar.

Casagrande está fora dos holofotes desde que sofreu um grave acidente de carro, em setembro do ano passado, de onde saiu direto para a clínica em que está, tendo sido internado por iniciativa de sua mulher e de um de seus filhos. ”Eles me falavam para eu sair das drogas. Eu respondia que podia dar conta.”

Ainda não há uma previsão para que o ex-jogador receba alta.

Pai morre após ser baleado para impedir que o filho fosse assaltado

O aposentado Leo Corassa, de 52 anos, morreu ontem baleado quando tentava defender o filho Renato, de 20, de assaltantes em Novo Hamburgo, na Grande Porto Alegre. Renato chegava em casa quando foi abordado por dois homens, que queriam roubar a motocicleta dele.

De dentro de residência, Corassa percebeu o que ocorria e saiu para tentar livrá-lo dos ladrões. Foi alvejado por oito tiros e não resistiu aos ferimentos. Renato também foi atingido no abdome, num dos braços e nas coxas e foi internado, sem correr risco de morte. Os bandidos fugiram sem levar a moto.

 

Pai e Madrasta são indiciados por homicídio de Isabella

SÃO PAULO – O indiciamento de Alexandre Nardoni foi consumado na tarde desta sexta-feira mas ganhou traços definitivos no dia 11 de abril, doze dias depois da morte de Isabella. Naquele dia, a delegada Renata Helena Pontes, responsável pelas investigações, redigiu um parágrafo conclusivo num documento oficial mas reservado da polícia, a “resenha” do caso. No texto, ao qual o Último Segundo teve acesso, a delegada faz uma síntese de todo o trabalho de apuração realizado até o momento – e deixa claro que o casal não falava a verdade. Por essa razão ocorreu o indiciamento.

AP
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Isabela faria 6 anos desta sexta-feira

Lê-se no ítem 21 da “resenha” que a investigação encontrou uma contradição absoluta entre a versão dos dois e o confronto dos fatos. O ponto básico envolve o tempo transcorrido entre o momento em que Alexandre Nardoni alega que deixou o apartamento, desceu para a garagem para apanhar as duas crianças e a mulher – quando todos teriam subido para o sexto andar -, momento em que teriam dado falta de Isabella, que Alexandre diz ter deixado dormindo no quarto. Em sua ausência, diz ele, um ladrão teria entrado em sua casa e assassinado a menina. 

O problema, descobre-se pela leitura da “resenha” é que mesmo que se dê crédito, num primeiro momento, à versão de Alexandre, não se consegue encontrar sinais factíveis de que uma terceira pessoa pudesse ter estado no apartamento – e feito tudo aquilo que ele diz que foi feito.

Para sublinhar o absurdo que foi sendo revelado a cada dia das investigações, a delegada Renata Pontes escreve que, para a história ser verdadeira, seria preciso que, “no prazo máximo de três minutos” uma só pessoa fosse capaz de entrar no apartamento; acordar a menina; apagar a luz do quarto; ferir a menina na testa; andar com ela no colo pelo apartamento; limpar o sangue na testa; lavar e pendurar a fralda na área de serviço; asfixiar a menina; cortar a tela da rede de proteção do quarto; jogar a menina pela janela; apagar a maioria das luzes do imóvel; trancar a porta; escapar do prédio sem deixar vestígios.

Escrito tarde da noite, após um dia exaustivo de trabalho, o texto trai uma situação de cansaço – a tal ponto que, numa das passagens, a delegada troca os nomes dos personagens da tragédia. Mas o documento é claro, minucioso.

As contradições de Nardoni devem ser evidenciadas, com clareza ainda maior, quando a polícia realizar a reconstituição. Neste momento sempre dramático,  o casal será obrigado a explicar aspectos que seus relatos omitiram – como o ferimento de Isabella, as manchas de sangue – e encenar uma tragédia que, envolvendo pessoas tão próximas, pode produzir reações psicológicas imprevisíveis.   

Apesar do indiciamento, o caso está longe de ter-se encerrado. A polícia consegue demonstrar que não houve uma terceira pessoa e tem um pacote de omissões, contradições e mesmo mentiras contra casal. São elementos que podem levar a uma condenação. A polícia ainda não dispõe, porém, de provas para sustentar positivamente o papel de um e de outro na trama que levou à morte da menina.

Curiosamente, o casal está sendo indiciado não porque tenha sido possível demonstrar o que fez – mas porque não consegue convencer ninguém sobre a verossimilhança da história que contou. É um começo.


 

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