Arquivo para Julho 25th, 2008

História que a cadela encontrou bebê é mentira, o filho era da dona da cadela que inventou a história

Belo Horizonte – Em depoimento prestado hoje à Polícia Civil em Santo Antônio do Monte (MG), Maria Luzia Campos, de 27 anos, disse que é a mãe biológica do recém-nascido que ela afirmara ter sido encontrado num terreno baldio pela cadela de estimação. A vira-lata Xuxa ganhou notoriedade nacional por ter supostamente encontrado ontem e arrastado até a calçada o bebê do sexo masculino. A história foi contada por Maria Luiza à Polícia Militar (PM) e reproduzida por vizinhos.

 

Hoje, porém, ela disse que mentiu e escondeu a gravidez por ter receio de que a mãe e o padrasto não a aceitassem. Maria Luiza alegou também que se arrependeu quando constatou que o menino seria encaminhado para adoção. Ao delegado Geraldo Magela, a mulher afirmou que teve a criança sozinha, num barracão nos fundos de sua casa. Maria Luiza afirmou que envolveu o recém-nascido numa manta e o colocou dentro de uma caixa de papelão.

 

Ela disse que deixou a caixa com o bebê no lote vago e, logo depois, foi até a casa de um vizinho e pediu ajuda, afirmando que a cadela havia encontrado um recém-nascido abandonado. O bebê estava sujo de sangue e ainda com o cordão umbilical. Maria Luzia foi encaminhada para exames em Formiga (MG). O objetivo é constatar se ela se submeteu ou não a um parto recente. Segundo a polícia, o recém-nascido – que no hospital passou a ser chamado de João Gabriel pelas enfermeiras -, permanece sob custódia do Conselho Tutelar de Santo Antônio do Monte. Caberá à Justiça definir a guarda da criança.

Menino atingido por tiro na cabeça passa por cirurgia em São Paulo

O menino Fábio Botelho, 4, atingido na cabeça por um tiro de raspão em uma tentativa de assalto a uma casa na região do Sacomã, na zona sul de São Paulo. O garoto passou por uma cirurgia plástica na sobrancelha direita.

O caso aconteceu por volta das 21h desta quinta-feira (25) na avenida Martinho Guedes, em Vila Elísio. O garoto estava com os pais quando o carro da família –um Fiat Palio– foi abordado na porta de casa por um homem armado que anunciou o assalto.

Apu Gomes/Folha Imagem
Reproducao de foto de Fabio Botelho,4, e raio-X do local onde a bala atingiu
Reproducao de foto de Fabio Botelho,4, e raio-X do local onde a bala atingiu a cabeça do garoto, que passou por cirurgia

O criminoso obrigou o pai do menino a abrir o portão para os outros comparsas, mas a vítima alegou que a trava impedia o acionamento. Irritado, o ladrão deu uma coronhada e ameaçou invadir a casa.

O pai do menino reagiu e lutou com o criminoso que, acuado, atirou. A bala passou de raspão na testa da criança, que estava no colo da mãe. Ela conseguiu correr e pedir ajuda na casa vizinha, que acionou a Polícia Militar.

Outro comparsa invadiu a garagem e entrou na briga. Após agredirem o pai do menino com socos e tijoladas, fugiram sem deixar pistas.

A cirurgia plástica, realizada no Hospital São Camilo, a que Fábio foi submetido foi feita para refazer a pele da região atingida. Ele passa bem e deve receber alta daqui a dois dias.

Apesar de bastante machucado, o pai da criança, que está internado, não corre risco de morte. Não há previsão de alta. O caso foi registrado no 26º DP (Sacomã) e ninguém foi preso até a noite desta sexta-feira.

“Lista suja” da AMB não inclui processo contra Kassab,porquê?

Processo no Tribunal de Justiça de São Paulo em que o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM) consta como co-réu não foi incluído pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) em lista divulgada nesta terça (22) contendo candidatos com ações em andamento na Justiça. Apelidada de “lista suja”, a relação contém na capital paulista apenas os adversários do candidato à reeleição à prefeitura, Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).

O que você acha da divulgação da lista dos candidatos com “ficha suja”?

  • ReproduçãoPanfleto da campanha de Kassab explorou inclusão de Marta Suplicy e Paulo Maluf na “lista suja” da AMB; Alckmin condena atitude
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O processo contra Kassab teve início em 1997, quando ele ainda era secretário de Planejamento do então prefeito Celso Pitta, que também é réu. A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público paulista, com origem na 10ª Vara da Fazenda Pública, foi julgada improcedente, mas, segundo o TJ-SP, continua em andamento.

A Promotoria acusou o então prefeito, assessorado por Henrique Ferreira Nunes, assessor chefe de imprensa do gabinete, de ter feito promoção pessoal com dinheiro público ao divulgar um informe publicitário em grandes jornais com o intuito de se defender de denúncias feitas pela CPI de Títulos Públicos. A publicação ocorreu, segundo a ação, com a anuência de Gilberto Kassab e de José Antonio de Freitas, então secretário de Finanças. Todos são réus.

O MP-SP classificou que a atitude atentou contra os princípios da administração pública, por isso, entrou com ação civil pública baseada na Lei 8.429/92 (Lei de Improbidade). Entre as penas está a perda da função pública. Os réus perderam em primeira e segunda instância. Depois, conseguiram vitórias no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no TJ-SP, que anulou as decisões anteriores, sob o entendimento de que o conteúdo foi apenas informativo, e não uma promoção pessoal. O processo, contudo, não está encerrado e aguarda apreciação de novo recurso pelo TJ. O último andamento no tribunal data desta sexta-feira (25).

Critérios contestados

A AMB anunciou na terça que restringiu a divulgação em seu site aos nomes dos candidatos que respondem a ações penais e por improbidade, desde que o autor seja o Ministério Público. As demais ações não seriam citadas. O processo envolvendo Gilberto Kassab é movido pelo Ministério Público. As informações relativas à ação foram enviadas na quarta (22) pela reportagem para que entidade analisasse os dados.

Nesta quinta (23), a AMB argumentou que seguiu o critério de somente publicar as ações em andamento que estão nos sites dos tribunais especificamente mencionadas como de “improbidade administrativa”. Assim, no caso da nomenclatura constar como apenas “ação civil pública”, o processo não será inserido. Ainda que a ação possa estar relacionada à improbidade e ser movida pelo Ministério Público, a entidade alega que não irá inserir ação, sob o argumento de que nem sempre essas ações são movidas pelo MP.

Outro lado

A assessoria de imprensa de Gilberto Kassab afirma que “a ação civil pública ajuizada contra Celso Pitta, em que o candidato foi citado como co-réu, foi considerada improcedente pelo TJ-SP em 7 de maio de 2008″.

Para o promotor de Justiça da Cidadania da capital Sérgio Turra Sobrane, autor da ação, o critério utilizado pela AMB não é confiável, já que as informações contidas nos sites dos tribunais não têm valor legal e estão incompletas. “A ação de improbidade é uma espécie de ação civil pública e esta ação (contra Kassab) deve, sim, ser incluída na lista”, afirma. “Se a AMB não se limitasse à consulta processual ao site do tribunal e olhasse com mais profundidade as decisões tomadas nesse processo, constataria muito facilmente que se trata de uma ação de improbidade movida pelo MP”, completou.

O especialista em direito eleitoral Alberto Rollo repudia a publicação de uma lista “seletiva”. “Este caso do Kassab só aumenta a minha convicção de que esta lista tem um critério precário, comete uma odiosa discriminação deixando processos de fora. É política. O melhor seria mesmo é que não se publicasse nenhum processo”, afirmou.

O site de Kassab, que defendeu a divulgação da lista após o anúncio de que Maluf e Marta estavam nela, até a quarta-feira (23) possuía como manchete os recortes de todas as chamadas publicadas na imprensa sobre a presença dos nomes dos adversários na “lista suja” da capital, inclusive a do UOL desta terça. O TRE-SP determinou a retirada do link do ar indícios de uma “propaganda negativa ou depreciativa”.

Polêmica

A lista, que provocou reações de advogados, juristas e candidatos, contém até agora dados relativos aos candidatos a prefeito e vice em todas as capitais brasileiras. Foram analisados 350 candidatos e, destes, 15 estão listados.

Em São Paulo, figuram os nomes de Paulo Maluf (PP) e de sua vice na chapa, Aline Correa (PP). A candidata Marta Suplicy (PT) também foi elencada. Enquanto Maluf afirmou que “juízes não devem se meter em política”, Marta classificou a lista de “arbitrária, tendenciosa e leviana”. Em todo o país, candidatos citados repudiaram a iniciativa.

  • Jorge Araújo/Folha ImagemJurista Dalmo Dallari alerta para risco de inconstitucionalidade

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Presidente do Supremo repudia lista

STF terá que avaliar questão

Em entrevista ao UOL, o jurista Dalmo Dallari alertou que a publicação poderá ser considerada inconstitucional, caso haja dúvida de que apenas uma condenação definitiva (quando não cabe mais recurso) pode macular a “ficha” de um cidadão. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, também repudiou a lista, que classificou de “populismo”.

O ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Torquato Jardim classificou a atitude da associação de “engajamento público politizado”. Já cientistas políticos defenderam a divulgação.

O assunto deve ser decidido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em ação da própria AMB. A tendência é que o tribunal rejeite a ação, seguindo entendimento já firmado pelo TSE de que os candidatos com processos em andamento podem concorrer às eleições.


 

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