Arquivo para Outubro 19th, 2008

Familia de Elóa autoriza doação de órgaõs: Órgãos beneficiarão até oito pessoas

SÃO PAULO - A cirurgia para a retirada dos órgãos de Eloá vai começar no início da madrugada, entre zero hora e 0h30. De acordo com os médicos, os órgãos poderão beneficiar até oito sete pessoas. Os primeiros órgãos a serem retirados são coração, pulmões, fígado, pâncreas e posteriormente rins e córneas. Eloá foi baleada na cabeça após ser mantida refém pelo ex-namorado, Lindembergue Alves, 22 anos, durante quatro dias em Santo André.

 

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O processo dever terminar no início da manhã de segunda-feira. A primeira operação para a retirada do coração deve durar até duas horas e meia. Todos os órgãos serão doados a pacientes de São Paulo. O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia não vai forneceu os locais para onde serão enviados os órgãos para não comprometer o processo.

 

 

  

 

Homero Nepomuceno Duarte, secretário de Saúde de Santo André, explicou que há o óbito biológico e o óbito legal. “No caso de Eloá, já está constatado o óbito biológico, por conta da morte cerebral, e o óbito legal só será registrado quando for retirado o último órgão, que serão as córneas”. A morte cerebral de Eloá foi confirmada no sábado às 23h30. Segundo ele, também será retirada a bala alojada no crânio.

 

Por volta das 15 horas deste domingo, longe do hospital e do assédio da imprensa, os pais de Eloá, Aldo José da Silva e Ana Cristina Pimentel da Silva, assinaram o documento oficial que autorizava a doação. “As primeiras conversas ocorreram ainda ontem e, realmente, não foi fácil para a família”, contou Rosa. “É necessário um tempo de elaboração, de aceitação do processo. É mesmo difícil para qualquer pai entender o processo (de retirada de órgãos), com o coração da filha ainda batendo.”

 

Às 12h30, a primeira equipe do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, da capital, responsável pela captação dos órgãos, chegava ao hospital para iniciar os exames que identificariam que tipo de doadora é Eloá e quem seriam os possíveis receptores. Menos de duas horas depois, a mesma equipe deixava o hospital para voltar ao instituto, com material coletado para realização dos testes de compatibilidade, que durariam toda a tarde.

 

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, que esteve no Centro Hospitalar no início da tarde, os exames se estenderiam até por volta das 22 horas deste domingo. “Logo que soubermos quem são os receptores, a Central de Transplantes do Governo do Estado entra em contato com eles, para que se dirijam aos hospitais onde receberão os órgãos”, explicou Barradas.

 

A essa altura, nas primeiras horas do dia, as cirurgias para a retirada dos órgãos seriam realizadas e, ainda durante a madrugada, começariam os transplantes. Logo depois, ainda durante a madrugada, o corpo de Eloá poderia ser liberado para exames no Instituto Médico-Legal de Santo André e, posteriormente, para velório e enterro. Um jazigo foi oferecido gratuitamente à família, ontem de manhã, pela administração do cemitério particular de Santo André – a apenas 4 quilômetros de onde moram os Pimentel.

 

Nayara

 

Segundo os médicos do Centro Hospitalar, Nayara, de 15 anos, a amiga de Eloá que também foi feita refém por Alves, tem “bom quadro evolutivo” para a cirurgia facial a que foi submetida. Ela foi atingida por um tiro na face, na sexta-feira.

 

“Houve diminuição do edema na face e nenhum sinal de infecção”, disse um dos cirurgiões, o médico Marcelo Cini. “Ela está consciente e conversa bastante, mas só falamos sobre procedimentos médicos.” Nayara deve receber alta até o fim da semana. “Algumas palavras da Nayara que me marcaram hoje (ontem) foram ‘estou sem dor’”, contou Rosa. Segundo ela, os médicos não informaram à adolescente sobre a morte de Eloá. “E nem vão contar. A decisão de falar ou não cabe aos familiares”, afirmou.

 

Depoimento

 

Junto com o secretário Barradas, o secretário de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania, Luiz Antônio Marrey, esteve ontem no hospital. Ele disse que “não há pressa” para a Polícia Civil tomar o depoimento de Nayara, para esclarecer o que aconteceu na sexta-feira, quando oficiais do Gate invadiram o apartamento. “Ela vai prestar depoimento no momento em que as autoridades médicas responsáveis acharem que ela tem condições. Não há razão para precipitação”, afirmou. “Nayara está sob nossos cuidados e do Conselho Tutelar e não consideramos benéfico à recuperação que ela se pronuncie oficialmente enquanto estiver internada”, afirmou Rosa.

 

O secretário se recusou a fazer uma avaliação aprofundada sobre a atuação do Gate na invasão do apartamento. “Qualquer análise ou conclusão agora é uma precipitação. O Gate atuou em circunstâncias dramáticas, mas a avaliação deve ser feita por quem detém conhecimento de intervenção em situações de risco, no bojo de inquérito policial submetido à Justiça.”

Depoimento de Nayara mostra detalhes das primeiras horas de sequestro

O depoimento de Nayara à polícia, na quarta-feira, mostra detalhes das primeiras horas de sequestro em Santo André. As informações são do site do jornal “O Estado de S.Paulo”.

 

Um dia após ter sido libertada, ela revelou que Limdembergue Fernandes Alves disse na segunda-feira que era “o príncipe do gueto e o cara que manda no local” quando viu pela janela do apartamento onde manteve a ex-namorada refém que o prédio estava cercado.

Alves estava violento e teria feito quatro ou cinco disparos, segundo a adolescente. Nayara tambpem disse que o seqüestrador não sabia o que fazer, batia em Eloá e seu humor se alternava entre momentos de calma e tensão.

AE
Exame mostra onde bala ficou alojada/ Foto AE
Exame mostra onde bala ficou alojada no cérebro da jovem Eloá/ Foto AE

Alves também ria dos policiais que fizeram as primeiras negociações. Ele entrou no apartamento de Eloá às 13h30 de segunda-feira, com o revólver calibre 32 e um saquinho contendo 20 ou 30 estojos íntegros de munição. Quando chegou, dois amigos da jovem estavam no quarto de Eloá, mexendo no computador.
 
A garota preparava o almoço e Nayara arrumava a cama da amiga. O seqüestrador ordenou que todos fossem para o quarto da adolescente. Ao entrar lá, deu um tapa na cara de um dos meninos e, em seguida, no outro jovem porque não acreditava que eram amigo de escola de Eloá. “Ele dizia que estava uma pilha de nervos”, disse Nayara no depoimento à polícia. Quando Eloá tentava falar com Alves, ele a agredia com chutes, tapas e puxões de cabelo. Nayara e um dos reféns foram usados como escudo quando o seqüestrador foi na janela ver a movimentação.
 
Pediu a todos que ficassem em silêncio. A campainha do apartamento tocou duas vezes e o irmão mais novo de Eloá atirou pedras na janela para chamar a irmã. Ele ordenou que todos ficassem em silêncio. Foi quando os pais dos reféns começaram a ligar.
 
O primeiro a saber do seqüestro foi Aldo, pai de Eloá, quando Alves atendeu uma das ligações. Orientada por ele, Eloá disse ao pai que os quatro eram mantidos reféns e Alves estava armado. “Ninguém podia se aproximar do prédio e a polícia não deveria ser acionada”, afirmou Nayara. Aldo ainda tentou convencer Alves a deixá-lo entrar na casa, mas não teve sucesso. O pai dela disse que o tinha como um filho. O seqüestrador respondeu “que o respeitava, o considerava e tinha muita amizade por ele, mas ele tinha pisado na bola com ele.”
 
A Polícia Militar foi acionada pelo pai de um dos reféns. Nesse momento, Nayara convenceu Alves a libertar os dois garotos. O primeiro foi solto às 22 horas e, o segundo, às 23 horas. Em seguida, o seqüestrador, por celular, passou a negociar com o sargento Atos Antonio Valeriano. “Ele disse que os PMs não estavam acreditando nele e somente ‘iriam botar uma fé’ quando uma das reféns fosse morta”, disse Nayara. Alves, então, atirou contra o sargento. “Em seguida, ele começou a rir e disse: ‘Eu sou o cara’.”
 
Os policiais, por segurança, saíram da porta do apartamento. Alves, em um novo contato, pediu para eles retornarem. O pedido foi negado, por causa do tiro que havia sido disparado. Alves achou a conversa divertida e comentou que os PMs estavam com medo dele. Nesse momento, acalmou-se um pouco e passa a tratar Eloá de uma forma mais afetiva e simpática. O comportamento durou pouco. Logo ele pegou o celular da ex-namorada e viu uma mensagem de texto de um rapaz.
 
Alves ficou nervoso e começou a discutir com as meninas no quarto dos pais de Eloá. “Ele saiu de lá, foi até a janela do banheiro e atirou contra as pessoas que estão na frente do prédio”, contou Nayara. Ao voltar para o quarto, a briga recomeçou.
 
Libertação
 
Na terça, Alves prometeu que libertaria Nayara no dia seguinte, mas ela o convenceu a liberá-la naquela noite. Ele a levou até a porta e disse para ela correr. Caso saísse devagar, receberia um tiro nas costas. Após 33 horas em poder de Alves, Nayara seguiu as orientações do seqüestrador. Mas voltou na quinta-feira e só saiu do local na sexta, baleada.

Caso Santo André:Lindembergue teria assumido autoria dos disparos

Informação teria sido dada a um investigador; ele afirma, porém, que tiros foram efetuados na hora da invasão
SÃO PAULO - Preso no CDP de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, Lindembergue Alves teria assumido para um investigador a responsabilidade pelos disparos que atingiram Nayara e Eloá – este, frontal, a curta distância – e teria isentado a polícia da responsabilidade. Alves, porém, dá a entender que os tiros foram efetuados no momento da invasão – e não antes, como na versão oficial. Alves está sozinho numa cela do Segundo Pavilhão – ele não teria sido aceito pelos detentos do Primeiro Pavilhão. Ele chegou ao CDP por volta das 2 horas de sexta-feira. Seu estado de humor, segundo oficiais que acompanharam o preso, sofria alterações bruscas: ora Alves mostrava-se extremamente agressivo ora choroso.

Em alguns momentos, o seqüestrador mostrou-se transtornado. Ele só deve falar em juízo – seu advogado, Eduardo Lopes, renunciou ao caso logo após a invasão e, até a tarde de ontem, nenhum outro advogado teria aparecido para representá-lo.

Hospital confirma morte cerebral de garota Elóa Pimentel mantida refém em Santo André (SP)

A adolescente Eloá Cristina Pimentel, 15, teve morte cerebral confirmada pelos médicos; <b>acompanhe aqui</a>

O hospital municipal de Santo André confirmou à 23h30 deste domingo a morte cerebral de Eloá Cristina Pimentel, 15, que foi feita refém pelo ex-namorado por mais de cem horas em Santo André (Grande São Paulo).

A adolescente perdeu massa encefálica e passou por cirurgia. A bala ficou alojada no cerebelo.

A amiga da adolescente, também de 15 anos, foi baleada no rosto, está consciente e não corre risco de morte, segundo os médicos.

Durante a tarde de sábado, a equipe médica do hospital havia atestado que a garota estava em coma irreversível. Segundo a neurocirurgiã Grace Mary Lídia, é a forma mais grave do coma.

Inconformado com o fim do namoro de três anos, Lindemberg Fernandes Alves rendeu a adolescente na última segunda-feira (13). Além dela, outras três pessoas –uma amiga da garota e outros dois jovens– também foram feitas reféns.

Às 20h daquele dia, policiais militares do Gate (Crupo de Ações Táticas Especiais) foram ao prédio localizado em um conjunto habitacional no bairro Jardim Santo André para tentar negociar a liberdade dos reféns. Após duas horas de negociação, os garotos foram liberados.

Na madrugada da terça-feira (14), duas irmãs de Alves foram ao local. As cozinheiras Francimar, 35, e Lindomar, 38, afirmaram que Alves era muito amoroso com a adolescente e sempre se mostrou tranqüilo. Entretanto, ele entrou em depressão após o rompimento com a garota e passou a ameaçá-la de morte caso ela não reatasse o relacionamento.

Ainda na terça-feira, Alves disparou duas vezes em direção a uma multidão formada por jornalistas e curiosos que circundavam o prédio. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. Durante a noite, os policiais cortaram o fornecimento de energia ao apartamento onde as garotas eram mantidas reféns. Em troca do retorno da eletricidade, Alves libera a amiga de sua ex-namorada.

Menos de dois dias após a libertação, a adolescente volta às 10h de quinta-feira (16) ao apartamento, porém, não como refém. O mais longo caso de cárcere privado do Estado terminaria apenas às 18h10 de sexta-feira (17) de forma trágica.

A Polícia Militar afirma que decidiu invadir o apartamento após o rapaz atirar. “O que provocou a invasão foi o próprio agressor. O Gate não atirou. Fizemos de tudo para preservar a vida dos três”, disse neste sábado o coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM.

A ex-namorada de Alves saiu do apartamento ferida na virilha e na cabeça. Uma amiga que também estava no imóvel foi baleada no rosto, operada e não corre risco de morte.

Segundo o coronel, Alves deu o primeiro tiro e, quando a equipe do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) entrou no apartamento, o rapaz descarregou a arma.

Félix defendeu a atuação da equipe no desfecho do caso. “Não houve erro. Todas as decisões foram tomadas em equipe”, afirmou o PM.

Preso, o ex-namorado da adolescente foi levado neste sábado para o CDP de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Segundo a polícia, ele foi levado na noite de sexta-feira a uma delegacia de Santo André, mas se recusou a falar sobre o caso.


 

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